CDC – COMO SURGIU

09/07/2021 0 Por Divino Leitão

QUAL CDC?

Se entrou neste post pensando em Código de Defesa do Consumidor, peço mil desculpas, mas estou falando de outro CDC, que significa Crônicas das Colônias, um livro que está para ser publicado e se quiser ler — e interagir com ele — basta seguir os links da imagem no topo, está tudo explicado lá.

Esta CDC se lê no feminino, ou seja Crônicas das Colônias, que surgiu no início deste século, como um projeto que foi se alterando até o formato atual. Tudo é fruto de minha paixão por FC, algo que se iniciou lá na infância, com o fantástico Julio Verne, certamente meu primeiro autor de ficção, seguido por outros também muito importantes, que vão de Ray Bradbury até meu preferido de todos, Isaac Asimov, que mais me influenciou, inclusive nesta obra.

Dos autores contemporâneos, creio que meu primeiro contato foi com Kurt Vonegut Jr e creio que li apenas uma obra dele, Slaughterhouse-Five, uma FC bastante pesada, que mostra a terra como uma espécie de matadouro para alimentação de alienígenas.

Slaughterhouse Five | Amazon.com.br

Este livro me foi dado de presente por um hóspede, quando eu trabalhava de office-boy em um hotel da rede Bradesco, lá pelos meus 14 ou 15 anos.

E foi também um dos primeiros que pude chamar de “meu”, já que quase a totalidade dos meus livros vinham de bibliotecas, foi legal ler um livro e poder reler depois, quando quisesse e provavelmente vou ter que ler de novo, pois a história não está mais “viva” em minha memória.

Mas a ideia aqui é falar do CDC, e de como surgiu a ideia de escrever um livro de FC, a primeira parte foi o que tentei explicar, que antes de qualquer coisa, sou primeiro um leitor apaixonado por FC.

Mas a história Crônica das Colônias começou com uma piada de um amigo muito querido, o Walzer Poubel, tremendo “sacana” e que uma vez me “trolou” com uma mensagem nos antigos grupos de discussão, que precederam as redes sociais. Conheci o Walzer em um destes grupos, o InfoETC, que se tornou famoso por ligações com o caderno de informática do Globo, que tinha o mesmo nome.

O InfoETC tinha mais de 5 mil usuários, um número expressivo para a época, que precedeu a entrada neste século XXI.

A piadinha do Walzer foi que eu escrevia tanto (que novidade) que deveria me candidatar a roteirista da rede Globo, para escrever novelas.

Lembrando que a Globo não  era considerada tão “lixo” naquela época.

Conhecendo o Walzer, sabia que não estava falando à sério estava somente “trolando” meus textões e resolvi me “vingar” escrevendo o tal roteiro.

QUEM MATOU WALZER POUPEL?

Sim, se a observadora leitora e o astuto leitor perceberam o sobrenome era Poubel, mas no roteiro que fiz a mudança da letra fazia parte da brincadeira.

Walzer Poubel e Divino Leitão, na festa de aniversário do segundo. 4.5 em 2002.

Se quisesse, poderia escrever de novo toda a história. Walzer era um cara bem grande (não pode mais falar gordo) e embora pareça menor nesta foto era justamente o contrário, era mais alto e mais … digamos robusto que este porco escrevinhador, ele está abaixado.

Walzer era dentista, então criei um personagem vestido de branco, mas no caso era uma espécie de pai-de-santo e viajava em uma barca Rio-Niterói — Walzer morava em Niterói — e foi assassinado durante o trajeto e jogado ao mar, sendo que foi confundido com uma baleia branca.

Pura “trolagem” escrevi como se fosse uma novela e fosse continuar, mas não tinha qualquer intenção de seguir na história.

No entanto em uma lista com mais de 5 mil pessoas era de se esperar que alguém escrevesse a “continuação” da história e aconteceu, não só uma, mas diversas continuações.

Alguém fez um desenho, depois outro, até música fizeram e decidi que aquilo valia um site, com opções para continuações da história, eu mesmo escrevi várias partes, juntando um pedaço com outro, para fazer sentido.

O site ficou famoso na época, ou “bombou” como se diz na atualidade. Durou mais de ano, se não me engano, até que enjoamos daquilo. Teve participação de pessoas de fora do Brasil e tomou um rumo bem interessante, já tentei reencontrar o site, até achei umas partes no Wayback Machine, mas estava incompleto e “deixei quieto”.

Foi então que decidi investir neste formato e pensei em um livro escrito a várias mãos. Poderia até mesmo ser aquela história, mas era tão zoada que no máximo daria um livro de “non sense”, eu queria uma história mais “séria” e então pensei que uma FC seria interessante.

E assim nasceram as “Crônicas das Colônias“.

Tecnicamente as CDC são textos apócrifos, vindos do futuro e que teriam passado por algum portal temporal chegando a nossos dias.

Não me preocupei em dar embasamento científico a esta justificativa, histórias que envolvem viagem no tempo nunca os apresentam de forma razoável. Simplesmente acontece e pronto, então não me perguntem como as mensagens chegam… apenas acreditem, elas chegam.

CRÔNICAS, FASE 1

Pensei num universo no futuro e aí entraram vários autores da FC em minha mente e sopraram algumas dicas, o ambiente se formou rapidamente e meu primeiro texto para o CDC foi justamente um texto que eu já tinha escrito para um “Primeiro de Abril”, só que a piada do texto original tratei como real. Afinal se enganou pessoas em um primeiro de Abril — e foram muitas — poderia “colar” também na nova obra.

Assim surgiu a primeira crônica, um traje chamado Body Glove, que permitia ao usuário sentir sensações a partir de simulações em um computador.

A Body Glove sequer foi ideia original minha, surgiu como piada em uma conversa de BBS e decidi dar uma melhorada, tanto que foi um dos melhores “Primeiro de Abril” que já passei na Internet, anos depois ainda tinha gente me procurando, querendo comprar uma

Neste ponto surgiu também uma série de pré-requisitos para um texto ser compatível com a CDC, alguns foram abandonados e outros mantidos.

E a ideia era várias pessoas escrevendo, costurando as crônicas.

Fiz tudo em formato de BLOG, no BLOGGER e ainda está lá, quem quiser olhar as histórias no formato original para comparar com minhas revisões fique a vontade.

Inicialmente surgiram alguns interessados, que disseram que iriam escrever, mas ao contrário do que aconteceu em “QMWP” nenhuma alma jamais escreveu uma continuação ou uma crônica original.

Escrevi meia dúzia de histórias e desisti da ideia, parecia que tinha fracassado e por uns tempos deixei quieto.

Depois fui ler minha própria criação e gostei do que vi, os textos pareciam interessantes e pensei em fazer sozinho, afinal se não surgiram autores eu ainda tinha a “conexão com o futuro” e podia conseguir novas histórias.

Cheguei a fazer um site, para não ficar limitado aos recursos do BLOGGER, mas em determinado ponto cansei de escrever as histórias e como não as compartilhava, sequer havia leitores. Salvo um ou outro amigo que passou lá, deu uma olhada e não se interessou.

Continuei a escrever sem muito compromisso e depois abandonei o projeto, para tocar em outro momento.

CRÔNICAS – FASE 2

Este é o momento, decidi que farei uma revisão completa nas histórias, escrevendo em formato de livro e as publicarei na Amazon, em formato de série, ou seja. Escrevo o suficiente para uma primeira coletânea e depois publico outros, se entender que vale a pena.

Já estava neste trabalho, quando decidi que além de escrever neste formato, poderia já oferecer para um público e promover uma leitura teste, onde os leitores pudessem interagir com a obra.

Nesta fase a história está pronta, todo o livro já está escrito, o que apresentarei nesta obra são exatamente as crônicas já revisadas e formatadas para a publicação, por enquanto apenas em formato digital, seu sucesso irá definir se publico em papel ou não.

As Crônicas tem como período os séculos XX até o S30, sendo que S30 é como se representa os séculos no futuro. Abrange inicialmente até os anos 2300, mas não existe um limite, isso depende da minha imagin… ops, dos recebimentos, via viagem de mensagens no tempo.

Talvez consiga os colaboradores que imaginei logo no início, ainda acho que seria muito legal, mas desta vez não vai ser tão simples de entrar na obra , quem quiser participar terá que mostrar serviço e a primeira parte será conhecer a obra e suas particularidades, para então escrever algo dentro do contexto.

O universo se tornou muito amplo, sem contar que criei tantos termos abreviados — uma característica, no futuro — que até mesmo para ler e entender a obra será necessário acessar um glossário, que estou providenciando em forma de app.

A obra envolve pessoas famosas — ou nem tanto — que transporto para o futuro, um exemplo é Bill Gates, que coloquei como um dos criadores da primeira colônia, a CT1 e posteriormente como o primeiro humano a ultrapassar a idade de 150 anos e que depois virou o primeiro IS2 da história. O nome de Bill Gates não é citado diretamente, até para evitar problemas com algum direito de royalties, na história ele é citado como G3, mas fica claro de quem se trata desde o início.

Esta questão ainda não está definida, como é uma obra digital, se alguém reclamar posso mudar o nome ou até retirar, já que não cito ninguém de forma depreciativa, se reclamarem, tiro e coloco outro no lugar.

CONCLUINDO

Para mim, escrever um livro é tão fácil que estou fazendo logo 3 de uma vezada só. Publicar é outra história, pois além de custos absurdos, pagamentos ínfimos de royalties, sob alegação de que custa muito distribuir, imprimir e etc também desestimulam bastante.

Mas a Amazon parece oferecer algo mais justo, resta saber se um título de um novato vai conquistar as mentes, entre tantas opções, inclusive a concorrência — que considero desleal — de autores consagrados que continuam faturando no formato digital, mas é justo para os leitores.

Este formato que apresento é uma forma de tentar conquistar um nicho diferente, de leitores que queiram participar mais da obra, deixar nela sua impressão digital e talvez futuramente — porque não? — entrar no espírito da obra e escreverem sua visão.

Os livros de Pherry Rodan, dos quais fui leitor assíduo e maratonei muitos livros são evidentemente escritos por diversos autores diferentes e eu adoraria poder ter algo parecido, a prtir de uma criação minha, que talvez caia no gosto dos leitores.

Junto com a CDC estou escrevendo duas outras obras, ambas biográficas, uma do ponto de vista da tecnologia, focando minha passagem por momentos históricos da informática no Brasil, bem ao estilo do filme Forrest Gump.

A outra uma biografia comum, dando ênfase a momentos que considero fora do comum, intercalados com situações mais cotidianas, que espero conseguir contar de uma forma interessante.

Como o “pasto não está para porco” adicionei um chapéu, que estou passando entre possíveis amigos ou interessados, se não comparecerem vou escrever do mesmo jeito, eles que perderão uma oportunidade que não se vê sempre, de um autor que aceita olharem por cima do ombro, enquanto trabalham e ainda responde a comentários.

Encerro com um pequeno “causo” que mostra justamente como encaro esta questão e ao mesmo tempo uma amostra do que será minha biografia. Este texto estará lá.

DESENHANDO ÁRVORES

Morava em Paquetá, para quem não conhece, uma bucólica ilha, com pouco mais de 100 habitantes e 1 km de extensão por poucos metros de largura, só se chega lá de barco ou de helicóptero e a movimentação de carros não é permitida, exceto por exceções, como ambulâncias, polícia e bombeiros e uns poucos caminhões de entrega.

Lá montei algo que todos achavam ser apenas uma Lan House, mas na verdade era uma instalação secreta, muito bem disfarçada, de empresa prestadora de muitos serviços. Lá eu dava cursos para empresas, para crianças, fazia caricaturas e me divertia um bocado.

Só que trabalhava sozinho e em horário meio puxado, de segunda a segunda, fechando as vezes as 3 da manhã e abrindo as 7… não era uma vida fácil.

Dentro de mim tem um desenhista, cada vez mais enrustido, coisa de criança interna que se recusa a ir embora, então um dia vi um anúncio de um “curso para aprender a desenhar árvores”. Me inscrevi imediatamente.

Descobri que não tinha muita gente interessada no tal curso, pois fui o único aluno. Até deixei a professora, uma simpática e linda francesa, a vontade para não perder seu tempo comigo e cancelar o curso.

Sei bem que pior que não ter nenhum aluno num curso é ter um ou dois e ter que “pagar” para dar as aulas. Pois para cobrir os custos e dar lucro precisa uma quantidade mínima.

Mas a moça dez questão de dar o curso e com total atenção dela meu aproveitamento foi muito legal.

 

Esta árvore da ilustração desenhei na primeira aula. A foto é mais ou menos do mesmo ângulo que fiz o desenho.

Descobri, depois, que desenhar árvores era muito relaxante e peguei o costume de fazer isso com frequência, ainda as faço e só o que preciso é uma folha A3, uma prancheta e uma caneta pilot, da cor preta. Nada mais.

E desenhando em praças e parques sempre aparecem uma ou duas pessoas — algumas vezes mais — que ficam observando, a maioria quieta, pois devem pensar que incomodam se disserem algo.

Não incomodam e não atrapalham, o desenho tem um método que não me impede de conversar e me distrair com o que está em volta, creio que só um lado de meu cérebro é usado e o outro pode se ocupar de outras coisas.

Alias me veio a mente, um amigo, lá de Paquetá mesmo, exímio músico, que tocava cavaquinho como um virtuoso enquanto conversava com as pessoas em volta. Certa vez o vi examinar a dentadura que uma mulher tirou ali mesmo, num bar onde ele se apresentava e continuou a tocar… Surreal, mas foi isso mesmo. Ele ganhava a vida como protético, a música era mais um hobby. Ali percebi que ele tocava apenas com metade do cérebro.

Mas voltando as árvores e aos desenhos. Levo em média uns 30 minutos para terminar uma árvore, até porque a ideia não é desenhar a árvore inteira, pode ser um galho, um detalhe ou mesmo ela toda, depende do momento e da disposição.

E então peguei o costume de oferecer o desenho a quem o elogiar o suficiente, claro que isso não está escrito numa placa, sem contar que muitas vezes já tenho em mente para quem vou presentear o desenho.

Mas sabe com é criança… estava desenhando uma árvore, sentado em um banco. Ao meu lado sentou-se uma moça e meio que “do nada” começou a chorar. Até perguntei se podia ajudar em algo e ela pediu desculpas disse que o desenho a fez lembrar de algo e continuou lá, Quando terminei a árvore ela elogiou muito, perguntei se queria o desenho… ela aceitou, deu um sorriso e foi embora.

Não era a única a observar, uma garotinha de uns 7 anos também olhava eu desenhar, praticamente pendurada no meu ombro, mas devido a chorona ao lado nem dei muita atenção a ela, embora adore crianças. Ai a menina veio com essa…

— Poxaaaa… também gostei tannnnntooooo do desenho!

Sentei de novo, pedi para ela escolher uma árvore e desenhei outra, só para ela.

Seus pais fizeram questão de pagar e não aceitei, a satisfação da menina não tinha preço. Mas almocei com eles, não se recusa um convite para almoçar.

E sempre foi assim, tanto que desenhei dezenas de árvores e não tenho nenhuma, apenas fotografo com o celular e me contento com o prazer de desenhar.

No caso dos escritos é o mesmo, tanto que prefiro escrever de graça em redes sociais do que em um jornal ou revista, onde as vezes o prazer se torna uma prisão. E nunca foi falta de convite, embora atualmente eu aceitaria um salário de bom grado, mas engana-se quem acha que jornais e revistas pagam por este trabalho, eles acham que estão dando uma “chance” a autores e não é bem assim.

Deixei de escrever para o jornal o Globo justo por isso, me davam realmente uma projeção imensa, mas o custo embutido era muito alto, centenas de cartas para responder e quando ouvi de um empregador que queria me contratar há muito tempo, mas não tinha coragem porque escrevendo para O Globo eu deveria custar um valor que ele achava que não poderia pagar.

Podia sim e eu cobrava muito menos do que ele imaginou. Um dia simplesmente parei de escrever para o jornal e não sinto qualquer falta, até porque nunca me pagaram um tostão em dinheiro e atualmente prefiro minha parte em moeda corrente ou PIX e aceito dolar.

E faço a revista Micro Sistemas desde 2009, sem cobrar nada de ninguém, ou melhor dizendo… fazia. A partir de Julho de 2021, passarei a cobrar para quem quiser ler.

Ou seja.. talvez cobre pela minha próxima árvore, afinal preciso comer, pagar as contas, como qualquer um e não é porque gosto de meu trabalho que tem que ser grátis.. né mesmo?

Gostou desta amostra?

Então me faça uma caridade, vai lá neste texto e ajude um artista a sair dessa miserável pandemia, antes que eu tenha que enfiar uma tecla na orelha. :8)

Ou só clique na imagem…