HOMENAGEM A LEO LINS

HOMENAGEM A LEO LINS

23/07/2022 0 Por Divino Leitão

Faz tempo que venho prometendo “sair” das redes sociais e manter apenas atualizações de meu blog pessoal nelas, mas parece tão mais fácil escrever nelas que acabo esquecendo deste propósito.

Mas consegui lembrar quando decidi escrever sobre o que aconteceu com o humorista Leo Lins, o mais recente “cancelado” do desta desgraça do politicamente correto que vem destruindo reputações, para aplauso de algumas focas e não vai aí nenhuma ofensa as focas, são animaizinhos bem legais, exceto quando imitadas por humanos.

Para quem não ficou sabendo, Leo Lins, um dos humoristas que trabalha com Danilo Gentili —  por mais de 11 anos — perdeu seu emprego no SBT, por conta de uma piada que algumas pessoas não foram capazes de entender, ou se foram precisavam de seus 5 minutos de fama.

Vou reproduzir o texto da piada…

Eu acho muito legal o Teleton, porque eles ajudam crianças com vários tipos de problema. Eu vi um vídeo de um garoto do interior do Ceará com hidrocefalia. O lado bom é que o único lugar na cidade onde tem água é a cabeça dele. A família nem mandou tirar, instalou um poço. Agora o pai puxa a água do filho e todos estão felizes e tomam banho…

Evidente que se trata de algo de gosto bastante duvidoso, evidente que afeta duramente pessoas que tenham que lidar com esta questão — ou questões, pois tem bem mais que uma no texto — mas daí a tirar o emprego de uma pessoa apenas porque ela tropeçou neste maldito PC (não não foi o computador) e temos que considerar o fato que não foi contada publicamente, não foi contada em um programa do SBT, mas com certeza isso não importa, vamos “cancelar” o cara e pronto, decisão tomada e executada.

Deixa mal o SBT, porque uma coisa é os administradores do Teleton ou vítimas desta condição não gostarem, outra é tirar o emprego de uma pessoa por conta disso. Seria mais interessante se aproveitassem a situação para falar da condição e até informar melhor sobre isso, abrir um debate e fazer algo mais decente do que punir o autor, até porque é evidente que ele não está atacando as vítimas da hidrocefalia, assim que li a piada entendi que a ideia não é esta, mas sim provocar a sociedade para diversos pontos em uma evidente hipérbole, que nem todos são capazes de assimilar.

O cara estava no palco, exercendo uma atividade artística, onde isso era esperado e qualquer um tem o direito de não gostar, de sair do local e até mesmo pedir restituição do dinheiro que pagou para estar lá… mas não de “cancelar” a vida profissional do artista.

Seria como um ator fazer tão bem o papel de um vilão que as pessoas passem a confundir o ator com a personagem, mas nada justifica que se possa agredir o ator na rua, atirar nele ou mesmo ofende-lo por fazer seu trabalho.

O humorista, quando está no palco é apenas isso: um artista e gostar do que ele faz é opcional, mas impedi-lo de fazer ou tentar é muita ignorância.

Como fica a imagem do TELETON quando sabemos que cuidam de pessoas com diversas dificuldades, mas que apoiam tirar o emprego de alguém, só porque fez o que se esperava que fizesse?

Mesmo que se tire o TELETON da equação é muita covardia do SBT despedir alguém por algo que fez fora do SBT e que não é crime, no máximo poderia ser classificado como um erro, valeria abrir um debate, colocar isso em discussão, mas enfim, o SBT que faça o que quiser fazer, mas precisam entender que pode haver consequências também pelo seu ato.

Danilo Gentili, foi solidário publicamente com o amigo e parceiro de trabalho, imagino o quão difícil deve ter sido para todos que trabalhavam perceberem a imparcialidade do ato e lidarem com isso.

Já outras pessoas se apressaram a criticar o ato e aproveitaram para destilar seu veneno ou conseguir algum destaque em seu próprio trabalho, um deles foi o Felipe Neto, alvo de denúncias bem mais graves, como influenciar negativamente crianças que são fãs das besteiras que ele fala ou faz… até porque são incapazes de compreender o verdadeiro significado.

Leo Lins responde a este episódio, mas acho que perdeu seu tempo em dar tanta importância a uma pessoa que é desprezada por quem sabe ligar o cérebro. Entendo que se sentiu ofendido… mas a melhor resposta seria ignorar o que alguém como o Felipe Neto diz… ou somente dizer que se sentia honrado em ser questionado justo por um boçal que não é exemplo de nada que seja bom.

De minha parte preciso confessar que nunca dei maior importância a Leo Lins, ou seu parceiro de palco no programa do Danilo, o Murilo Couto. Nem é alguma implicância com eles, apenas não presto — ou prestava — muita atenção no seu trabalho, embora muitas vezes tenha dado boas risadas com ambos.

Por exemplo, nem sabia que Leo Lins tinha uma carreira paralela como humorista, ou melhor dizendo, sabia sim, só que nunca procurei conhecer mais sobre ele, questão apenas de prioridades e não de julgamento.

Agora vejo o cara passando o curriculum e ao mesmo tempo dando mais atenção a outros projetos, descubro que faz livros e que já foi processado por 29 prefeitos. Sinal de incompetência destes prefeitos, que o contratam sem saber exatamente o que estão fazendo, ou apenas malversação de dinheiro público, ou tentativa de calote.

Lembro inclusive que o próprio Danilo Gentili foi “cancelado” pelos próprios parceiros do CQC, após se envolver com um tema que nem sei explicar e também não estou interessado em pesquisar, mas graças a isso foi buscar uma carreira própria e está ai este fenômeno de audiência que imagino que o SBT poderá perder, depois desta decisão de quebrar o grupo… pois se fez uma vez, certamente tentará fazer de novo, em uma clara e inadmissível censura.

Danilo deu a volta por cima e viu o próprio CQC desaparecer, enquanto se tornou um líder de audiência, muito mais do que tinha no CQC, onde apenas interpretava os papéis mais ridículos do programa.

Nunca gostei muito do CQC, na verdade assistia mais para ver o Danilo e também uma mocinha que nunca mais ouvi falar, a Monica Lozzi, que fazia algo parecido com a personagem de Danilo Gentili como um entrevistador atrapalhado, a diferença é que a Monica não interpretava uma jornalistas, ela fazia jornalismo à sério, porém deixando furiosos seus entrevistados, com perguntas que eles odiavam. Só uns poucos aceitavam falar com ela… Infelizmente a TV não valoriza mais este tipo de comportamento e provavelmente por isso ela não está aparecendo como deveria, pois evidentemente é uma excelente jornalista.

Agora, se me permitem vou contar um “causo” que tem alguma similaridade com a situação, numa das minhas frustradas tentativas de ser engraçado, pois como humorista sei perfeitamente que sou um ótimo físico quântico.

Por uns tempos desenvolvi a tentativa de fazer uma piada por ano e obviamente escolhi o Primeiro de Abril para isso, afinal é um dia onde qualquer um pode fazer uma piada idiota e ninguém percebe e as vezes nem sabem que foi piada.

Algumas foram muito legais, pelo simples fato que ninguém entendeu, ou seja, caíram tolamente na história, ponto pra mim.

Mas uma delas foi particularmente desastrosa e tem tudo a ver com hidrocefalia, porque inventei que estaria internado em um hospital, com “vazamento de água no cérebro” nem citei a doença, mas sabia do que estava falando.

No texto pedia doações e dava até o número de uma conta bancária 010419xx ou seja, já dava ai a pista que era um primeiro de Abril. Exagerei também em tudo, nem me esforcei para “pegar” algum distraído, creio que foi mesmo falta de inspiração.

O que não previ foram algumas possibilidades, como por exemplo alguém só ler a postagem vários dias depois do “dia dos tolos” ou mesmo amigos tão preocupados que assim que leram as primeiras linhas correram a ligar, para saber o que estava acontecendo… ou seja, deixei preocupadas pessoas que gostavam de mim e sem querer lhes causei uma angustia.

Naquele mês muitos amigos me xingaram de FDP pra baixo por conta disso, alguns me ligaram as 3 da madrugada, porque acabaram de ler aquele monte de bobagens e queriam uma confirmação ou mais informações e quando eu lhes dizia quer foi um “primeiro de abril” quase cancelaram a amizade.

Por essas e outras, prometi a mim mesmo que jamais repetiria uma brincadeira com doença e acabei vendo o que pode acontecer em minha própria família. Minha mãe — , que também nunca foi boa em piadas, costumava ligar para os 8 filhos neste dia e inventar alguma história, normalmente tão simplista que a gente “caia” só para deixa-la feliz.

Mas em um lamentável Primeiro de Abril ela ligou, logo pela manhã, dizendo que tinha caído e batido a cabeça… como a gente já sabia do seu costume, ninguém levou a sério, a gente ria e dizia pra ela tomar um melhoral… eu disse isso.

Só que mais tarde ela realmente caiu, bateu a cabeça e se machucou seriamente. A filha caçula que estava com ela foi a primeira a duvidar, quando alguém a alcançou, já no carro e falou sobre isso. Inclusive levou uma bronca do cara, quando foi acusado de estar contando uma mentira… o cara lhe perguntou se tinha cara de quem estava fazendo piadas.

E o mesmo ocorreu com todos os filhos quando ela, já no hospital, tentava informar os irmão. Eu mesmo não levei a sério e só percebi que não era mais brincadeira quando todos começaram a me ligar… algo me disse que realmente tinha acontecido, mas levei horas para fazer o que normalmente teria feito no primeiro momento, que foi ir lá no hospital dar assistência.

Pobre da Dona Ignez, ficou com a cara roxa por meses e por pouco não teve problemas na vista, pois o tombo foi feio.

Não devemos brincar com estas coisas, porque elas afetam as pessoas.

A piada de Leo Lins realmente é de mal gosto, atualmente sou PCD, perdi a perna direita, decorrente de diabetes, mas faz quase 30 anos que sei exatamente os problemas pelos quais passa uma pessoa nesta condição e também quem está próximo delas, minha única filha nasceu com paralisia cerebral e passei — e ainda passo — por muitos problemas com isso, no entanto jamais me vitimizei por conta disso, luto pelos direitos dos PCD e procuro conscientizar as pessoas sobre isso… mas só entendi realmente o problema quando eu próprio me tornei um PCD…

No curso de TST a gente “fingia” ser cego, andava em cadeira de rodas ou usava equipamentos de imobilização para tentar “entender” como isso afeta as pessoas, mas nenhuma simulação é capaz de mostrar de fato o preconceito e as dificuldades reais pelas quais estas pessoas passam.

O preconceito é a pior delas e só consegui perceber isso ao estar na real condição de um PCD. Vou explicar só um deles, que as pessoas praticam sem nem notar.

Perdi uma perna e isso obviamente é um problema sério, embora eu ainda possa andar com a prótese e fazer diversas coisas, mas não consigo mais subir em uma simples escada e ninguém sabe o quanto isso era significativo em minha vida, já que sempre fui um faz-tudo e hoje em dia nem posso trocar uma lâmpada…

Na verdade posso sim, meu cérebro ainda está com uns 90% de atividade e fiz um cabo com uma garrafa pet na ponta, que me permite trocar lâmpadas, mas outro dia uma lâmpada ficou com um fio solto e está assim até hoje… porque me recuso a chamar um eletricista para resolver isso e ninguém consegue fazer… sobem na escada, mas ficam com medo de mexer no fio, sem ter a mínima consciência de que o fio da lâmpada, quando está desligada não tem corrente.
Mas isso é o de menos… quando vou em um médico as pessoas falam comigo como se eu fosse um bebê, ou falam com quem me acompanha ao invés de diretamente comigo, como se eu não fosse capaz de entender. Devem achar que meu cérebro ficava na perna ou que sou completamente incapacitado, só por estar em uma cadeira de rodas.

Só quem passa por isso de verdade é capaz de entender o quanto atitudes como estas são ofensivas e incomodam, fora o fato que os chamados “direitos” que uma PCD deveria ter são desrespeitados direto.

Uma vez aguardava para entrar em uma vaga de PCD e um carro entrou na minha frente, porém não tinha NENHUM PCD no veículo e mesmo que tivesse eu cheguei antes, estava só aguardando outro carro sair e o espertinho manobrou e parou ali.

Chamei o motorista e esclareci que estava na frente e que provavelmente ele nem teria o direito de parar ali, inicialmente alegou que o “manobrista tinha autorizado”. Então esclareci que chamaria a polícia para ele e o manobrista explicarem a história e a coisa foi crescendo.

Nem seria o caso de citar, mas o cara era negro assim como toda sua família, que estava no carro também e isso não deveria fazer qualquer diferença, exceto pelo fato que ele alegou que eu estaria sendo “racista”. Olha o (segundo) mau exemplo que dava para os filhos.

Ai me emputeci, saí do carro e apontei o dedo para a cara do cidadão, dizendo que era bom ele estar preparado para esclarecer onde estava o “racismo” por questionar uma atitude errada, que independia da sua raça, em nenhum momento levantei esta questão, mas o fato de que estava fazendo algo que não tinha o direito de fazer.

A foto acima é uma imagem em 360° que tirei do evento, gire a imagem e vai me ver…

Era a inauguração de uma loja Havan e logo a gerente da loja foi chamada, até porque o Luciano Hang estava presente e ninguém ia querer uma confusão ali. A gerente conversou com o cara, que tirou o carro e pude finalmente usufruir meu direito, que se alguém não gostar sempre direi o mesmo… corte sua perna e terá também.

Então entendo perfeitamente a parte onde as vitimas de hidrocefalia irão se ofender por serem adicionadas a uma piada, mas esta reação é opcional, eu não me ofendo se fizerem piadas sobre pessoas sem perna, pelo contrário eu mesmo as faço.

As crianças em sua infinita curiosidade querem colocar a mão na prótese de metal, que as deixa curiosas e os pais sempre querem arrasta-las dali, dão broncas e eu tento explicar que não me incomoda a curiosidade e que é bom que elas possam entender, algo que não está ainda no universo delas e quanto mais cedo entenderem menos correm o risco de se tornar adultos ignorantes, como alias eu mesmo quase fui.

Confesso que quando era criança, brincava com os amigos sobre “mongoloides” e caçoava de entidades importentes, como o Teleton, APAE e outras… a maior “ofensa” que a gente conhecia era “retardado” que não é necessariamente uma condição de PCD, já que muitas pessoas não tem nenhuma doenças e se comportam como retardados, mas hoje entendo que o termo que é aplicado de forma incorreta, já que nem sempre uma pessoa com alguma incapacitação é retardada, mesmo que seja um problema com o cérebro, na verdade algumas são mais inteligentes que as pessoas que se consideram “normais”, ou se preocupam muito com isso.

Quem me ensinou isso foi a primeira pessoa que conheci e que entendia o problema, Um médico da área de neurologia que teve DUAS filhas PCD, ambas com problemas cerebrais. Ao invés de ficar chorando ele usou seus conhecimentos para explicar a situação aos leigos ou “marinheiros de primeira viagem”, como era meu caso, quando tive consciência que minha filha era PCD.

Ele chamava as pessoas de E-ficientes ao invés de usar o termo “deficientes”, com uma explicação bem simples. Se alguém sem a visão — ou qualquer outro problema — é capaz de realizar tarefas que pessoas que tem visão completa, então ela é mais eficiente e não o contrário. Faz todo o sentido.

Voltando ao Leo Lins… o humorista trabalha com a provocação, nunca se deve levar à sério uma piada, porque a função da piada é nos mostrar problemas de uma forma amplamente exagerada, para que se possa lidar com eles rindo ao invés de ignorar, de fingir que não existem.

Claro que um enterro não é lugar para piadas, mas vai depender de quem está lá… com certeza o enterro de um humorista é cheio de piadas, em homenagem ao falecido.

Quando morreu meu padrasto, um homem que substituiu a figura paterna que não tive e que certamente é responsável por parte do que tenho de melhor ficamos no velório eu e meu cunhado contando as piadas que ele adorava contar em vida. Éramos os únicos no local, durante a madrugada e sentados no chão nenhum tinha coragem de levantar e ir olhar o caixão para ver se ele estava rindo… porque a sensação era essa, de que o espirito dele estava ali com a gente.

Então mesmo contar piada no velório pode ter contexto então porque evitar falar de hidrocefalia só porque isso ofende alguns? Alias muitos dos que estão criticando nem sabem do que se trata ou mesmo que exista e ao invés de irem se informar, ficam apenas querendo colocar mais lenha na fogueira.

A instituição TELETON perdeu uma ótima oportunidade de abrir uma discussão saudável sobre o tema e o SBT demonstra que está mais preocupado com as aparências do que com o que seus empregados falam em seu próprio canal, já que temos diversos programas que insultam nossa inteligência diariamente. Percebe-se claramente que Silvio Santos não está mais no comando, pois prefiro acreditar que ele não agiria desta forma, procurei — e não encontrei — algum comentário dele a respeito, só o que achei foram “notícias” dizendo que Silvio Santos fez a demissão, sinceramente eu duvido.

O apresentador “Ratinho” fez uma crítica, esquecendo que ele próprio comete muitas hipocrisias e ofensas em seu programa e também da sua história como apresentador. Lembro bem que diversas vezes ele próprio explorou deficiências de forma absolutamente ridícula, como quando prometia mostrar “crianças com rabo” em seu programa e falava disso de segunda a quinta e na sexta vinha com uma conversa fiada de que “não iria explorar” aquilo… brincadeira, mantinha no ar por uma semana só para enganar o público no final.

Vi, pessoalmente, ele fazer isso várias vezes, em uma época em que me obriguei a ver seu programa apenas para tentar entender o que ele fazia para ter tanto público, já que o programa em sei sempre foi — e continua sendo — uma verdadeira bosta.

Conclui que tem muito público para bostas, um público ignorante e hipócrita que “cancela” tudo que não entende ou que pode usar para se autopromover.

É lamentável que o mundo esteja sendo controlado por estas pessoas, vejam a guerra da Russia x Ucrânia, claro que há muitas coisas envolvidas, mas ela começou quando coloraram um humorista no cargo de presidente e nem podemos criticar isso, pois se o “Tiririca” se candidatar a presidente corremos um sério risco de ter nossa própria versão de um Zelensky, que entre em guerra, sei lá… com os EUA.

O próprio Danilo Gentili está sendo cotado para o cargo e prova que é uma pessoa inteligente não aceitando, já o Silvio Santos —  que sempre se considerou um “humorista” — bem que tentou.